Quarta-feira, quatro da tarde. Um dia de julho. Eu precisava devolver alguns livros que havia tomado de empréstimo à Biblioteca Pública e falei comigo mesmo caminhada na Praça da Liberdade.

Antes de sair, consultei o aplicativo BHBus para saber a localização do circular 04A e o horário que ele passaria pela Praça Milton Campos aqui perto de casa. O bólido estava subindo a Contorno, altura da rua do Ouro. Eu tinha três minutos para chegar ao ponto de embarque. Foi chegar e embarcar. Às quatro e vinte os livros estavam nas mãos do bibliotecário.

Missão biblioteca cumprida, subi o trecho fechado da rua Alvarenga Peixoto, passei em frente ao Rainha da Sucata, atravessei a rua e segui pela pista externa da Praça da Liberdade em direção à avenida Brasil. Andei quase nada. Sob um céu esplêndido e iluminado pelo sol da tarde, o Palácio da Liberdade pedia para ser fotografado. Atendi.

Aberto ao público nos fins de semana e nas tardes dos dias de semana, o Palácio da Liberdade, um dos mais belos representantes da arquitetura eclética de Belo Horizonte, estava bastante movimentado. Tinha gente na entrada, gente na sacada, gente fascinada.

Mais adiante, o prédio do CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil também mereceu um clique. Mas desta vez, o que chamou a minha atenção não foi a construção em si – que não me canso de admirar -, mas a fila de visitantes que começava na entrada do prédio e se alongava Cláudio Manoel abaixo. Bom sinal.

A Praça era só crianças. Próximo ao coreto, cavaletes com material de desenho e crianças fazendo arte. Na Alameda Travessia, Palácio da Liberdade ao fundo, crianças fazendo pose para as câmeras dos papais e mamães corujas. Nas ondas de pedras portuguesas ao lado do edifício Niemayer, crianças surfando.

Eu nunca tinha visto tanta criança por lá. Foi então que me lembrei: era julho e a garotada em férias havia tomado conta do pedaço. Quando não eram crianças atravessando o meu caminho, eram adultos escoltando crianças, adultos tirando fotos, gente, gente, gente… Jeito foi abrir mão da caminhada e ligar o modo observação.

Na entrada do Museu das Minas e do Metal, uma brilhante mulher (o diabo veste prata?) faz pose para um rapaz que se encontra logo abaixo na calçada. Após o clique, a modelo desce as escadas, toma de volta o celular e confere o resultado. Parece que gostou.

Nos cavaletes de desenho, lado a lado, duas meninas. De repente, uma delas se levanta e vai até o cavalete da outra. Começa o trabalho em equipe. O mascote da Copa do Mundo ganhou um novo colorido.

Na escada que dá acesso ao coreto, outra menina, esta maiorzinha, explora a tela do celular. Logo abaixo, sentado na mureta da escada e de costas para a menina, um homem de cabelos brancos, provavelmente o avô, também está ligado em seu aparelho móvel. Sinal dos tempos.

Na noite daquela quarta-feira fui caminhar em volta das quadras de tênis do Minas 2.

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