Minhas caminhadas em tempos de pandemia

Acordo cedo. Invariavelmente. Inauguro o dia. Às seis, café da manhã. Meia hora depois, caminhada na quadra do prédio. Tem sido esta a minha rotina nas três últimas semanas. Jeito que encontrei de continuar me exercitando nestes tempos de pandemia sem ter contato com outras pessoas. A monotonia? Quebro circulando de um lado pro outro. Da quadra para o play-ground, dali para a área da churrasqueira e assim por diante. Sempre observando os detalhes. Os mínimos detalhes. No quintal do vizinho o muro recortado em meia lua para permitir a passagem de um galho de árvore, a chaminé da churrasqueira em tijolos aparentes contra o fundo branco da parede, um bem-te-vi escondido atrás do seu canto. Aqui no prédio a canaleta sem tampa na entrada da churrasqueira (cuidado!), a numeração invertida das casas do jogo da amarelinha (coisa de canhoto), a perfeita desordem das magrelas no bicicletário, o trançado de fios que restou do cesto de basquete, as emendas do alambrado, o gol todo furado. Quando me canso dos detalhes faço uma pequena pausa para observar o todo. E agradecer. O céu de abril, ora aberto, ora fechado em cinza, o sol começando a mostrar as caras, as veneráveis mangueiras do prédio ao lado, herança de chácara que existiu por aqui há décadas, as múltiplas janelas que observam o caminhante em seu périplo cotidiano. Quando atino pela coisa, já se passaram os 50 minutos regulamentares de caminhada. Aí é voltar pra casa, tomar um banho e curtir o resto do dia. Com fé e alegria!