O surpreendente caminho de J.W.

Em agosto de 2015 publiquei o meu primeiro artigo aqui no blog (veja aqui). No artigo eu revelo como, de tanto quebrar a cabeça, acabei encontrando a melhor maneira de fazer a minha atividade física nos dias de semana (nos fins de semana eu já fazia regularmente).

É simples: saio do trabalho e caminho cerca de 4.500 metros todos os dias. São dois trechos distintos (entre eles um pequeno trajeto de ônibus). A passos largos e ritmados eu chego em casa em aproximadamente 1 hora.

Pois bem, dois anos se passaram e até hoje continuo fazendo este percurso com o mesmo entusiasmo, como se fosse a primeira vez.

O curioso é que costumo chegar antes dos meus colegas que voltam de carro. A diferença é que eu exercito o corpo e a mente, enquanto eles exercitam a difícil arte da paciência no trânsito nosso de cada dia, cada vez mais caótico.

Querem saber qual é o segredo para manter o mesmo pique tanto tempo depois, fazendo o mesmo percurso todos os dias?

O segredo está no olhar, no modo de ver o que se passa ao redor.

A cerca viva daquele casarão da rua São Domingos do Prata está precisando de uma poda. Toda vez que passo por lá tenho que me desviar dos galhos que invadem a calçada (será que não poderiam ter mais consideração com o pedestre?).

A namoradeira do Vale do Jequitinhonha que eu sempre via na sacada de um sobrado um pouco adiante já não está lá (será que ficou desiludida e voltou pra Almenara?).

A senhora que eu via todos os dias sentada com seu enorme cão em um dos quarteirões fechados da Praça da Savassi continua marcando presença no mesmo lugar, mas de uns tempos para cá está só (será que seu melhor amigo partiu?).

Aquele bar-café-livraria que ficava do outro lado da praça hoje está fechado, mas enquanto funcionou embalou os meus passos com sua música e seu alto astral (será que um dia volta a funcionar?).

A árvore que fica nas proximidades da Igreja Presbiteriana na Praça ABC não está florida, mas de um de seus galhos pende uma declaração de amor a BH e um convite aos curiosos (será que as pessoas que passam apressadas por lá perceberam o inusitado da coisa?).

Praça ABC (Foto: José Walker)

Outras árvores, principalmente as que encontro lá pelos lados do Santa Efigênia, estão cheias de vida nesta época do ano. É que as primeiras chuvas chegaram, e com as chuvas as maritacas e seu incessante matraquear (maritaquear?).

Perceberam? O caminho é o mesmo, mas nunca está o mesmo!

Aliás, é bom lembrar que nem sempre bate sol, mas se São Pedro não estiver de muito mau humor lá em cima, a caminhada pode ser ainda mais surpreendente. Aqui ou em Nova Iorque.

Foto de abertura: Lude G. B. (J.W. caminhando no Central Park em dia de chuva)

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