Até pegar o jeito ou como, de tanto quebrar a cabeça, acabei descobrindo a melhor maneira de voltar do trabalho a pé

Eu era muito pequeno, mas ainda me lembro do tempo em que tomava o bonde na rua Caetés para ir à missa no bairro Floresta com meus pais.

Do tempo em que as árvores cobriam a Afonso Pena…

Da época em que o divertimento da garotada eram as gangorras e escorregadores, a roda gigante, o carrossel e os brinquedos do Parque Municipal. E quando batia a fome era o piquenique na grama. Bons tempos…

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Me lembro também do carnaval dos blocos caricatos, caricaturas perfeitas: Bocas Brancas da Floresta, Domésticas de Lourdes, Imigrantes da Abissínia, Satã e seus Asseclas, Leões da Lagoinha, Cacarecos do Santa Efigênia, Aflitos do Anchieta, Demônios do Calafate e por aí afora. Saudade!

bloco bocas brancas da floresta

Sou do tempo em que a cidade era pequena e quase tudo se fazia a pé ou de ônibus. E a pé ou de ônibus fiz o ginásio no Estadual da Serra, o científico no Estadual Central e a Escola de Engenharia na Contorno.

Depois veio a graduação, o primeiro emprego e o primeiro carro, uma Brasília. Financiado em 5 anos. Um carrão à época, “feito de fora para dentro” como propalava o fabricante.

Mas a Brasília ficava a maior parte do tempo mesmo é na garagem, só saia nos fins de semana. Nos outros dias o proprietário continuava se deslocando a pé ou de ônibus.

Não sei se naquela época eu já tinha noção da importância de praticar exercícios físicos ou se era por economia mesmo, mas o fato é que caminhava bastante. E como nunca gostei de correr ou de fazer academia, continuo caminhando até hoje, aos 61 anos de idade.

É uma opção de vida. Deixo o carro em casa e faço a minha caminhada diária, ciente de que estou contribuindo com o trânsito, ajudando a preservar o meio ambiente e, de quebra, cuidando da saúde.

Mas até pegar o jeito não foi fácil!

Houve época em que eu me levantava cedo e caminhava antes de ir para o trabalho. Durou pouco tempo, pois além de madrugar eu acabava pegando o ônibus no pior horário e já começava o dia estressado.

Também experimentei caminhar à noite, depois de voltar do trabalho, mas não deu certo. Eu chegava em casa e sempre havia algo a fazer antes da caminhada e eu acabava desistindo de sair.

Depois experimentei diversas formas de incluir a caminhada nos meus deslocamentos de ida para o trabalho e de volta para casa. Já fui a pé e voltei de ônibus, já fui de ônibus e voltei a pé. Também não deu certo.

Houve época em que eu saia do trabalho, descia a pé até as imediações da Praça da Liberdade e tomava o ônibus na João Pinheiro. Ou seguia Getúlio Vargas até a esquina de Ouro, onde tomava outro ônibus. Em ambos os casos eu esperava muito tempo no ponto e ainda pegava ônibus lotado. Além de chegar tarde em casa, eu chegava moído.

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Agora peguei o jeito!

Saio do trabalho, sigo Getúlio Vargas até Afonso Pena e na sequência pego Ceará, Brasil e Maranhão até chegar ao Hospital Militar na Contorno. Dali eu tomo o ônibus em direção ao bairro Floresta e ainda caminho algumas centenas de metros até o prédio onde moro. No total são 4.500 metros de caminhada a passos largos e em ritmo acelerado.

E porque fiz esta escolha?

Porque passo pela Savassi, uma das regiões mais agradáveis da cidade e caminho quase todo o tempo em terreno plano. E também porque descobri que o “Hospital Militar-1” é um ponto de parada estratégico em relação ao metrô: lá os ônibus chegam lotados e se esvaziam rapidamente.

Mas se eu morasse no Eldorado ou em Venda Nova, por exemplo, faria o mesmo trajeto a pé e pegaria o metrô na Estação Santa Efigênia, que fica logo atrás do Hospital Militar.

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E você, já pensou em deixar o carro ou a moto na garagem e fazer uma experiência deste tipo?

Se ainda não pensou, considere a possibilidade. Talvez você tenha que fazer algumas tentativas, mas não desista. Até pegar o jeito…

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