Da Praça da Bandeira à Savassi

Descendo as ladeiras de Belo Horizonte, com direito a tobogã

Este roteiro começa na Praça da Bandeira, que fica no encontro das avenidas Afonso Pena e Bandeirantes, confluência dos bairros Serra, Mangabeiras e Anchieta.

Praça da Bandeira – Fonte: mapio.net

Suba a rampa até o local onde se encontra o mastro da bandeira nacional. Observe ao fundo a imponente Serra do Curral, símbolo afetivo de Belo Horizonte e as mansões do bairro Mangabeiras.

Ao descer a rampa, tome o lado esquerdo da avenida Afonso Pena e siga em direção ao centro da cidade. Cruze as ruas Américo Diamantino, Bambuí e Ramalhete, esta última celebrizada na canção de Tavito, “Rua Ramalhete”. Logo adiante você verá um guarda-corpo metálico que avança sobre a calçada. Observe o desnível entre a avenida e a rua Jornalista Jair Silva lá em baixo. Trata-se da ladeira Comendador Honório Bicalho, uma das muitas ladeiras de Belo Horizonte.

Agora, siga em frente, atravesse a rua Muzambinho e um pouco mais adiante observe um pequeno aglomerado de casas em estilo colonial. Trata-se do Villa Emporium, um espaço gastronômico que fará com que você se sinta em uma pequena vila do interior de Minas Gerais.

Villa Emporium à noite

Mais à frente, do outro lado da avenida, você verá um imponente prédio em concreto aparente e vidro. É um prédio comercial que abriga dois interessantes espaços culturais: o Oi Futuro – Museu das Telecomunicações e o Teatro Klauss Vianna.

Continue descendo a Afonso Pena e vire à esquerda na rua Cobre. Você está no bairro Cruzeiro e a 100 metros do Parque Amilcar Vianna Martins, de onde se descortina uma bela vista da cidade. O parque foi construído no alto de uma colina e abriga a primeira caixa d’água construída na cidade.

Parque Amilcar Viana Martins – Foto: Jorge Espeschit

Saindo do parque, volte à avenida Afonso Pena, vire à esquerda e desça até a Praça Milton Campos. Atravesse a avenida do Contorno e chegue até a calçada da Afonso Pena. Observe lá embaixo o burburinho da cidade.

Volte à avenida do Contorno e comece a descer a ladeira. Depois de cruzar a rua Maranhão, não se assuste, você está no “tobogã da Contorno”. São dois lances de descida íngreme separados por um pequeno trecho plano, uma pausa para se respirar.

Mas não precisa descer o 2º lance. Na esquina com a rua Piauí vire à direita e siga em frente. Você está no bairro Funcionários, que no início do século passado abrigou os primeiros moradores da capital. Observe os belos prédios de apartamentos construídos ao longo da rua, nesta que se tornou uma das áreas residenciais mais nobres da cidade.

Na esquina com a rua Inconfidentes peça permissão ao policial que se encontra de serviço na guarita e tire algumas fotos da bela construção à sua frente. Trata-se do Batalhão do Corpo de Bombeiros, que ocupa um imponente prédio do início do século passado, onde funcionou uma das primeiras escolas de Belo Horizonte, o Colégio Anglo-Mineiro, eternizado por Pedro Nava em seu Balão Cativo.

Batalhão do Corpo de Bombeiros – Foto: Frieda Keifer

Continue pela rua Piauí até a avenida Afonso Pena, vire à esquerda e desça até a Praça Cel. Benjamim Guimarães, mais conhecida como Praça ABC, em referência à padaria de mesmo nome fundada em 1959 e que funcionou no local até 2008.

Pare um pouco para descansar e observe o verde dos jardins. À esquerda, no quarteirão fechado da rua Ceará entre a Praça ABC e a rua Santa Rita Durão você entenderá porque Belo Horizonte é conhecida como a “Capital Mundial dos Botecos”. Observe as mesas espalhadas pela calçada, a descontração da rapaziada. É o Dalva Botequim Musical, um dos points da cidade.

Atravesse a avenida Getúlio Vargas e na esquina com a rua Cláudio Manoel observe um cenário bem parecido com o que acabamos de descrever. Um espaço cercado de jardins e belas árvores, tendo ao fundo outro casarão antigo. Trata-se da Casa Bonomi, um dos espaços mais agradáveis da cidade para se apreciar os segredos da culinária mineira, especialmente os pães.

Ao sair da Casa Bonomi, olhe para o outro lado da rua Cláudio Manoel. Na esquina, à direita, o Edificio Panorama, que já foi o mais alto da região até meados do século passado e à esquerda, o moderníssimo abc65, prédio de escritórios comerciais, com seus 40 andares e sua bela fachada em vidro, projeto do renomado escritório Farkasvölgyi Arquitetura.

Edifício abc65 – Foto: Glauco Lúcio

Agora desça a avenida Afonso Pena e logo abaixo da Casa Bonomi você verá duas construções de meados do século passado, que sobreviveram ao boom imobiliário. A primeira delas abriga o Museu dos Brinquedos, que tem um acervo de mais de 5 mil peças, algumas delas de fins do século XIX.

Na esquina com a rua Professor Morais, outra sobrevivente do boom imobiliário: uma casa típica dos primórdios da capital, construída bem junto a calçada, com sua invariável varanda lateral.

Siga pela Professor Morais, cruze a Cláudio Manoel e à direita, no meio do quarteirão, outra construção antiga. É aí que funciona o Maria das Tranças, um dos restaurantes mais conhecidos de BH, cujo prato principal, o frango ao molho pardo, era o preferido do ex-presidente Juscelino Kubitscheck quando vinha à cidade.

Na esquina com a avenida Getúlio Vargas pare e observe, do outro lado, em primeiro plano, um santuário e ao lado uma bela construção do início do século passado. Trata-se do tradicional Colégio Sagrado Coração de Jesus, fundado em 1911, que ocupa todo o quarteirão da Professor Morais.

Colégio Sagrado Coração de Jesus – Fonte: mapio.net

Vire à direita na Getúlio Vargas, atravesse a rua Santa Rita Durão e você estará de frente para a tradicional Sorveteria São Domingos. Fundada na década de 30, foi a primeira de Belo Horizonte a fabricar o seu próprio sorvete e hoje são mais de 200 sabores, inclusive os de frutas exóticas como cupuaçu, seriguela e umbu.

Alguns metros abaixo, do outro lado da Getúlio Vargas, você verá uma bela casa de dois pavimentos e telhado estilo chalé suiço, muro baixo e jardim frontal. Trata-se de construção de meados do século passado, muito bem conservada.

Continue caminhando pela bem arborizada Getúlio Vargas, atravesse as ruas Rio Grande do Norte e Inconfidentes e você verá, do outro lado da avenida, uma imponente construção em estilo neoclássico, a Escola Estadual Barão do Rio Branco. Fundada em 1906 para receber os filhos dos funcionários trazidos para a construção da nova capital, a escola está em processo de restauração.

Escola Estadual Barão do Rio Branco – Foto: Cristina Moreno de Castro

Continue em frente, atravesse as ruas Paraíba e Tomé de Souza, e no meio do quarteirão outra surpresa. Um bem conservado casarão do início do século passado com dois pavimentos e varanda lateral, hoje ocupado por um restaurante.

Mais alguns metros e você estará diante de uma das mais charmosas praças de Belo Horizonte, a Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi, em referência à antiga Padaria Savassi, fundada no local em 1941. Observe os jardins, as fontes, os calçadões, o mobiliário urbano, os detalhes em aço inox. A praça foi revitalizada recentemente e é hoje um dos principais cartões postais da cidade.

Atravesse a avenida Getúlio Vargas e você estará no quarteirão fechado da rua Antônio de Albuquerque entre a Praça e a rua Paraíba. Observe as jardineiras, as mesas na calçada, o vai-e-vem de gente bonita. Aproveite para apreciar as diversas opções gastronômicas oferecidas pelos bares e restaurantes ali instalados.

Depois de satisfazer o apetite, continue girando pela praça no sentido horário. Você passará por outros três quarteirões fechados, com características semelhantes. No quarteirão fechado da rua Pernambuco entre a Praça e a rua Fernandes Tourinho você encontrará uma estátua de bronze em homenagem à poetisa mineira Henriqueta Lisboa, autoria do artista plástico Léo Santana. A poetisa, ex-moradora do bairro, foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Mineira de Letras.

No quarteirão fechado da rua Antônio de Albuquerque entre a Praça e a rua Alagoas você verá outra estátua do artista Léo Santana, desta vez em homenagem ao jornalista e escritor mineiro Roberto Drummond. O homenageado era apaixonado pela Savassi, onde costumava circular com frequência. Seu livro mais conhecido, “Hilda Furacão”, foi adaptado com enorme sucesso para a TV.

Estátua do escritor Roberto Drummond – Autoria: Leo Santana (Foto do autor)  

Finalmente, no quarteirão fechado da rua Pernambuco entre a Praça e a rua Tomé de Souza, você terá a oportunidade de conhecer um dos points mais conhecidos da Savassi, o Status Café, Cultura e Arte, que funciona no local há mais de 40 anos, sempre promovendo a boa música. (ver atualização)

Pronto, chegamos ao final da nossa caminhada, ou pelo menos ao final do percurso guiado. Agora, faça como todo turista que vem a BH, circule à vontade pela região. São inúmeras opções de compras, entretenimento e serviços, incluindo bares, restaurantes e cafeterias, livrarias e galerias de arte, além de dois shopping center, o Pátio Savassi e o 5ª Avenida. 

Não deixe de ver também o interessante relógio de sol instalado na esquina da rua Tomé de Souza com a avenida Cristovão Colombo.

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