Palácio e Praça da Liberdade: porque não uma coisa só?

Um dos meus locais de caminhada favoritos em Belo Horizonte é a Praça da Liberdade, que considero a mais europeia das praças brasileiras.

Digo isto não só pela Praça em si, que não por acaso foi inspirada nos jardins do Palácio de Versailles, mas também pelo seu entorno.

praça da liberdade - a mais europeia2

O que me impressiona ali é o convívio harmonioso entre as construções em estilo neoclássico do início do século passado, o inusitado do Rainha da Sucata e o arrojo de Niemeyer que nos legou a Biblioteca Pública e as curvas do Edíficio Niemeyer.

ed niemeyer curvas

Só uma coisa me intriga: o isolamento do Palácio da Liberdade.

Toda vez que o observo do lado de cá fico imaginando como seria bom caminhar livremente ao seu redor, ver de perto suas linhas imponentes, explorar seus belos jardins, desvendar sua face oculta, só revelada aos privilegiados que têm acesso ao seu interior.

Palacio da liberdade fachada-posterior

Vã ilusão. Veículos apressados impedem a minha travessia, grades bloqueiam a minha entrada, guardas armados insinuam que não sou bem-vindo.

Mas não desisto facilmente, e logo me ponho a cismar de novo…

E se construíssem uma trincheira ligando as avenidas Bias Fortes e Cristóvão Colombo para desviar o trânsito de veículos? E se retirassem as grades do lado de lá? E se desarmassem os guardas e os instruíssem na arte de bem receber os visitantes?

Seria uma grande conquista, não é mesmo? Poderíamos caminhar de um lado para o outro como se fosse tudo uma coisa só: uma só praça, um só jardim. Como antigamente!

Palacio e praça da liberdade

Fonte: BH Nostalgia / Revista Encontro

É claro que o trânsito de veículos teria que ser repensado, mas algumas medidas simples poderiam ser tomadas para evitar maiores transtornos.

Os veículos que sobem a avenida Bias Fortes e se dirigem à rua da Bahia ou à Biblioteca Pública, por exemplo, continuariam a fazer o mesmo trajeto de hoje: a ideia é preservar a faixa direita da avenida para esta finalidade, como foi feito na trincheira da avenida Raja Gabaglia.

Trincheira Av Raja Gabaglia

A mesma solução seria adotada para os que vêm da Savassi pela avenida Cristóvão Colombo e se dirigem às avenidas Brasil e João Pinheiro. O acesso seria feito pela faixa direita da Cristóvão Colombo, que também seria preservada.

Os que sobem a avenida João Pinheiro e se dirigem à Savassi seguiriam pela rua Gonçalves Dias até a avenida Bias Fortes, onde acessariam a trincheira (a alameda em frente ao Memorial Minas Gerais Vale seria utilizada apenas como via de trânsito local).

Algum transtorno apenas para os veículos que passam em frente ao Palácio e se dirigem às avenidas Brasil e João Pinheiro: teriam que acessar a trincheira na avenida Bias Fortes e fazer o retorno utilizando as ruas Sergipe, Antônio de Albuquerque e Alagoas.

Estas seriam as principais intervenções. Outras, de menor impacto, certamente serão necessárias e poderão ser definidas no decorrer dos estudos técnicos a serem desenvolvidos.

Acabei de me lembrar, por exemplo, que os veículos que circulam pela alameda que dá acesso à Biblioteca Pública e à Casa Fiat de Cultura ficariam sem opção de saída com a implantação da trincheira.

Mas isso não é nenhum bicho de sete cabeças: uma das opções seria reabrir o quarteirão fechado da rua Tomás Gonzaga que fica ao lado da Biblioteca e hoje é utilizado como estacionamento de veículos.

Gostaram das ideias?

Então vamos fazer coro junto aos órgãos competentes para que se tornem realidade e em breve possamos esticar a nossa caminhada até os jardins do Palácio, sem qualquer obstáculo.

Aliás, tudo ficaria como era no princípio: para quem não sabe, o nome de batismo das avenidas que circundam o Palácio é Praça da Liberdade. Peguem o mapa da cidade e confiram.

Quanto ao Palácio da Liberdade em si, quem sabe não seria transformado em museu? Garanto que não ficaria nada a dever a outros museus mundo a fora.

palacio-da-liberdade-interior com escada

E para os que ainda pensam que não estamos preparados para isso, aqui vai um lembrete: a melhor maneira de proteger os nossos bens culturais é franqueando o acesso ao público, como fazem os estrangeiros.

E lucram com isto!

Ah… já ia me esquecendo. Não entendo porque “esconderam” as estátuas dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse em frente à Biblioteca. Em qualquer outra grande cidade do planeta os amigos inseparáveis seriam atração à parte, com direito a totem informativo e tudo mais.

Vejam a foto abaixo, que mostra o local onde elas foram colocadas inicialmente, e tirem suas conclusões.

os quatro cavaleiros do apocalipse no local de onde nao deveriam ter saido

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