O dia em que saí da Praça 7 caminhando e cheguei ao Castelinho da Afonso Pena sem colocar os pés no asfalto

Além de hábito saudável, a caminhada é para mim fonte de inspiração. Quando estou caminhando esqueço as preocupações e dou asas à imaginação…

inspiração lampadas

Foi assim que vislumbrei a construção de uma passarela elevada ao longo das avenidas Afonso Pena, Álvares Cabral e João Pinheiro em Belo Horizonte, com rampas de acesso aos principais pontos turísticos da região.

A ideia surgiu na época em que eu estava elaborando o roteiro Da Praça 7 à Praça da Liberdade, um dos primeiros que publiquei neste blog.

Alguns meses depois tive a chance de conhecer a nova sensação de Nova Iorque, o High Line Park, e confesso que senti um certo orgulho ao verificar que havia algo em comum entre as duas propostas, embora os objetivos sejam diferentes.

high line3

No caso de BH eu pensei em direcionar o turista aos locais que realmente merecem ser vistos, evitando seu deslocamento pelas congestionadas ruas da área central.

No caso de Nova Iorque a grande sacada foi a revitalização de uma região decadente da cidade, aproveitando a estrutura de uma linha de trens desativada.

E o sucesso foi tão grande por lá que resolvi desenvolver a minha ideia inicial e comecei a imaginar como seria o High Line Park belo-horizontino.

Só que eu pensava em lançar a passarela nos canteiros centrais das avenidas e logo de cara me deparei com uma grande dificuldade. Era tanto galho que eu não conseguia imaginar um traçado razoável, a menos que houvesse uma poda geral ou pior, o sacrifício de algumas árvores.

canteiro central afonso pena melhor

A solução foi buscar outro traçado, utilizando passarelas elevadas na transposição das ruas e avenidas mais movimentadas e completar o percurso utilizando algumas alamedas de pedestres.

E fui desenvolvendo a minha ideia:

  1. A primeira passarela nasceria no quarteirão fechado da rua Carijós ao lado do novo Cine Theatro Brasil na Praça 7, transporia a avenida Afonso Pena e seguiria em elevação pelo quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro até a rua Tamoios;quarteirao fechado rua carijos sem artesaos
  2. Após a transposição da rua Tamoios o turista seria conduzido à alameda de pedestres da Igreja São José e, um pouco adiante, depois de passar em frente à entrada principal da igreja, a uma pequena trilha já existente à esquerda, no jardim que dá para a rua Espírito Santo;igreja sao jose com alameda
  3. Desta trilha sairia uma segunda passarela que transporia a pista direita da Afonso Pena e se apoiaria em um pilar a ser erguido no canteiro central da avenida, em frente ao prédio conhecido como Castelinho.

Aí a coisa empacou. A ideia era criar uma passarela elevada ao longo da avenida Afonso Pena até o Parque Municipal, mas como o percurso é longo e a utilização do canteiro central da avenida estava fora de cogitação, comecei a imaginar outras alternativas.

Transpor a pista esquerda da Afonso Pena e ancorar a passarela na marquise do Edifício Sulacap resultaria em sobrecarga na estrutura, que teria que ser reforçada. Além disso, haveria necessidade de negociar a utilização do espaço com os condôminos, o que não seria fácil.

passarela esp santo castelinho

Prosseguir com a passarela rua Tamoios abaixo e chegar ao Parque Municipal transpondo a rua da Bahia próximo ao viaduto Santa Tereza poderia ser a solução, mas onde apoiar a passarela ao longo da Tamoios?

Já era tarde da noite, eu estava cansado e por mais que me esforçasse não conseguia chegar a uma conclusão. O jeito era ir pra cama e relaxar.

ed sulacap antes e depois

Foto: Redação Veja BH

E não é que deu certo? Durante a madrugada me veio à mente uma imagem que remete à minha infância, quando eu costumava passear pela avenida Afonso Pena: vi nitidamente o Edifício Sulacap como era antigamente, sem o puxadinho de lojas construído anos mais tarde na sua parte frontal.

Naquela época eu ficava observando os automóveis que seguiam pelo viaduto em direção ao bairro Floresta e pensava que vinham de um túnel sob o prédio. Era a coisa mais fascinante que eu já vira até então.

A conclusão a que cheguei?

Bem, essa parte fica para o próximo artigo.

Compartilhe!